Amamentação sem preconceitos

Selo Semana Mundial de AleitamentoOutro dia eu estava no salão de beleza – que são momentos raros hoje em dia, né mamães? – e, conversando com a depiladora sobre maternidade, fiquei triste pela forma como ela desmereceu a amamentação. Pior ainda é perceber como as pessoas julgam algumas coisas ou acabam acreditando em outras sem estarem bem informadas sobre o assunto.

O tema ali era o bebê fazer o peito de chupeta, mas fiquei chocada com a forma como ela provocou o desmame do seu filho: esfregando alho no bico do seio para, assim, a pobre coitada da criança pegar aversão ao peito. Tudo bem, não sei se estou exagerando, mas imagino que a forma correta de desmame não seja essa, ou estou errada?

Mais espantada ainda fiquei com a informação equivocada que ela me passou: “depois dos seis meses é só ´águinha’, não serve pra nada”. Eu na hora rebati e falei sobre a recomendação do Ministério da Saúde para que o bebê seja amamentado até os dois anos ou mais.

No segundo ano de vida, o leite materno continua sendo uma importante fonte de nutrientes. A nutricionista Rosane Baldissera, consultora em amamentação de Porto Alegre (RS), explica que 500 mL de leite materno fornecem em torno de um terço das necessidades de energia e de proteína de alto valor biológico, 45% das necessidades de vitamina A e 95% das de vitamina C.

A especialista fala com base em pesquisa: “O leite materno no segundo ano de vida ou mais continua conferindo proteção contra doenças infecciosas, como comprovou análise baseada em seis conjuntos de dados provenientes de três continentes, incluindo uma corte brasileira. As crianças não amamentadas no segundo ano de vida tiveram chance quase duas vezes maior de morrer por doença infecciosa comparadas às amamentadas.”

“O leite materno no segundo ano de vida ou mais continua conferindo proteção contra doenças infecciosas”

Rosane alerta que o desmame abrupto é desencorajado, pois se a criança não está pronta, ela pode se sentir rejeitada pela mãe. Já depois de 1 ano de idade, se a criança demonstrar desinteresse em mamar, a recomendação é para a mamãe oferecer o peito, mas não forçar, pois cada bebê apresenta uma idade para o desmame natural.

Não faltam mães que desejam amamentar por mais tempo, mas alguns fatores, em especial a volta ao trabalho, dificultam ou as impedem de fazer isso. Sou privilegiada, já que a Manuela completou um ano e ainda está mamando (e mais sorte ainda é o fato dos dentinhos estarem nascendo somente agora, ufa!).

Se você está grávida, se ainda está em dúvida até quando amamentar ou se apenas tem curiosidade sobre o assunto, leia também o post “Perguntas-chave sobre amamentação”.

Beijos da Mamãe Prática Mari.

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