criança tímida

Criança tímida e com dificuldade de fazer amigos: psicóloga ensina o que fazer

Olá amiga leitora, recebemos outro dia o comentário de uma mamãe bastante preocupada, pois seu filho de apenas 4 anos é uma criança tímida, que não costuma falar dos coleguinhas da escola e nem fazer amigos. Eu mesma já tive essa preocupação, já que minha filha, antes de entrar na escolinha, também não fazia amigos e até mesmo dizia que tinha MEDO de outras crianças do condomínio.

Na época, a minha Manuela tinha apenas 2 anos e a adaptação na escola não foi nada fácil, mas felizmente com o tempo tudo se ajeitou e hoje ela simplesmente ama seus amigos de escola, mesmo sendo uma criança tímida (principalmente quando encontra alguém pela primeira vez).

> Dica: eu já falei aqui sobre a adaptação na escolinha (passa lá)!

Algumas crianças têm mais dificuldade em fazer amigos que outras, e isto é fato. Mas até quando a timidez é normal e quando ela passa a ser um problema? Com qual idade devemos nos preocupar? Para acalmar o coraçãozinho dessa mãe que nos procurou e também ajudar outras mamães que têm essa preocupação, pedimos para a psicóloga infantil Ana Flávia Fernandes escrever sobre este tema em sua coluna mensal. Vejam só:

Criança tímida e com dificuldade de fazer amigos

Essa é uma preocupação relevante e é muito valioso os pais que observam os filhos, mesmo na correria do dia a dia. Fazer amigos é uma habilidade muito importante para o desenvolvimento das crianças, mas a aceitação da criança por outras de mesma idade é bastante influenciada pelo tipo de relação que ela tem com a sua família, pela relação entre os pais e pelo comportamento da própria criança.

“A aceitação da criança por outras de mesma idade é bastante influenciada pelo tipo de relação que ela tem com a sua família, pela relação entre os pais e pelo comportamento da própria criança”

É na primeira relação com os pais que o bebê vai estabelecendo o senso de confiança básica para desenvolver suas relações futuras. Os pais que conseguem identificar as necessidades e posteriormente os estados emocionais do filho o ajudam a ir reconhecendo as suas próprias sensações, necessidades e limites. A criança que recebe esse cuidado, que é atendida em suas necessidades primordiais com segurança e recebe limites necessários vai desenvolvendo um sentimento de confiança dentro e fora dela. Assim, ela terá mais condições de compreender e ser empática em relação ao que acontece com ela.

Até os 2 anos, a criança vive a fase do egocentrismo, momento em que direciona sua atenção para explorar os objetos, então, é natural que tenha pouca interação social. Por volta dos 3 anos, ela começa a imitar as brincadeiras e ter mais interesse em interagir com as pessoas para se sentir pertencente ao grupo. Com aproximadamente 4 anos, ela terá maior capacidade para compreender o dar e receber, o cooperar, emprestar, trocar e compartilhar.

Aquelas crianças que têm uma atitude mais introvertida, tímida ou retraída se preocupam excessivamente com a opinião dos outros e por isso acabam se colocando em uma posição de inferioridade (expliquei sobre esse processo neste post), o que dificulta ainda mais sua capacidade de se relacionar.

A criança que inicia na escola com essa segurança básica sobre suas capacidades e dificuldades estará mais preparada para criar novos vínculos, novas trocas sociais e assumir sua individualidade no grupo. Aos poucos, inicia sua identificação com outras crianças, percebendo semelhanças e diferenças entre elas. Nesse contexto, consegue praticar sua capacidade de se expressar com os amigos e respeitá-los em sua individualidade também. Porém, muitas crianças acabam se comportando como os pais, que também não criam laços ou não mantêm amizades, não recebem e nem fazem muita visita e, por isso, acabam se isolando ou fazendo coisas somente em família.

“Muitas crianças acabam se comportando como os pais, que também não criam laços ou não mantêm amizades, não recebem e nem fazem muita visita”

É por meio da socialização, da relação que têm com outras crianças que os pequenos vão se diferenciando, reconhecendo-se e construindo a sua identidade. Essa habilidade vai sendo construída desde a infância: a base começa com a família, onde acontecem as primeiras trocas sociais, e depois na escola, no parquinho, no clube, na igreja e etc.

O nosso desafio é ajudar na construção desses vínculos, ampliar as possibilidades da criança aprender a criar uma conexão de segurança com outras pessoas. Incentivar encontros com as crianças do prédio, da escola ou do clube são sempre grandes oportunidades. A conexão acontece mais facilmente quando chamamos os amigos para a nossa casa, lugar de total segurança para a criança. Quando abrimos este espaço, ensinando os pequenos a cuidarem das amizades, geralmente encontramos crianças mais abertas para o novo e para o outro, construindo uma relação, aprendendo a diversidade, o conviver e o respeito.

“A conexão acontece mais facilmente quando chamamos os amigos para a nossa casa, lugar de total segurança para a criança”

psicóloga infantil Ana Flavia FernandesPsicóloga Infantil com especialização em Psicodrama, Ana Flávia Fernandes atende as crianças e suas famílias há muitos anos. “Para cuidar bem dos pequenos, também é preciso cuidar dos adultos a sua volta”, explica. Muito querida e atenciosa, ela também nos brinda com a sua sabedoria e experiência clínica no blog Terapia de Criança.

Amiga, o que achou deste texto sobre criança tímida? Gostei da dica de chamar outras crianças para brincar com nossos filhos na nossa casa. Deixe seu comentário aqui embaixo.

Ah, super recomendo que você leia este outro post (também com orientações da psicóloga Ana Flávia) com mais dicas que podem ajudar quem tem criança tímida em casa:

> 4 formas de fazer seu filho ser mais seguro e confiante

Beijos, da Mamãe Prática Mari

Foto: freeimages.com/Liz Allen

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15 comentários em “Criança tímida e com dificuldade de fazer amigos: psicóloga ensina o que fazer”

  1. Ótimo post meninas!
    A Maria Clara é tímida, hoje menos, mas é cheia de amigos!!!
    A Rafaela é o oposto… Fala mais que a boca, com qualquer um…hahahah.
    Beijos,

  2. Amei o post
    a Isa é timida no começo e depois se solta
    em casa ou na escola, onde se sente segura, ela é uma criança muito comunicativa e lider!
    Em ambientes novos, demora um pouco.
    beijos
    Lele

    1. Que bom que gostou Lele. Algumas crianças são realmente mais tímidas, mas podemos ajudá-las nessa socialização. Beijos, Fabi

  3. Adorei a postagem super util!
    A Emilly é o oposto, super extrovertida, as vezes até me assusto com algumas situações.

  4. Oi, tenho um filho de 3 anos e meio e não considero como uma criança tímida. Ele fala com as pessoas, cumprimenta-as, diz o que deseja…sempre incentivamos isso. Ocorre que quando está com os amigos, ele se torna uma criança reservada…não interage tanto. Na verdade, percebo um sentimento de inferioridade que ele desenvolve por não ser tão corajoso quanto os outros na hora de explorar um brinquedo novo, por exemplo. Tentamos sempre incentivá-lo, dizendo que ele consegue fazer o que ele quiser, mas ainda assim se mantém na dele e acaba preferindo brincar sozinho. Realmente, ficamos na dúvida do que fazer para ajudá-lo nesse processo.

    1. oi Jaína. Eu acredito que cada criança tem o seu tempo para apender e conquistar seu espaço. Talvez seu filho precise aos poucos ganhar mais confiança. Meu Serginho também está com 3 anos e é bem parecido com seu filho. Quando está num ambiente diferente da nossa casa ou dos avós fica mais tímido, demora para se soltar e interagir com outras crianças (também deve ser a fase, a idade). Temos um texto super bacana com a psicóloga Ana Flávia Fernandes que deixo aqui para você ler;
      – 4 formas de fazer seu filho se sentir mais seguro e confiante
      https://www.mamaepratica.com.br/2015/02/03/4-formas-de-fazer-seu-filho-ser-mais-seguro-e-confiante/

      Espero ter ajudado. Beijos, da Mamãe Prática Fabi

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